quarta-feira, 23 de maio de 2012

Professor: ainda o pior salário


Antônio Gois e Demétrio Weber
Clipping Educacional - Jornal O Globo

O salário dos professores da educação básica no Brasil registrou, na década passada, ganhos acima da média dos demais profissionais com nível superior, fazendo encurtar a distância entre esses dois grupos. Esse avanço, no entanto, foi insuficiente para mudar um quadro de trágicas consequências para a qualidade do ensino: o magistério segue sendo a carreira de pior remuneração no país.
Tabulações feitas pelo O Globo nos microdados do Censo do IBGE mostram que a renda média de um professor do ensino fundamental equivalia, em 2000, a 49% do que ganhavam os demais trabalhadores também com nível superior. Dez anos depois, esta relação aumentou para 59%. Entre professores do ensino médio, a variação foi de 60% para 72%.
Apesar do avanço, o censo revela que as carreiras que levam ao magistério seguem sendo as de pior desempenho. Entre as áreas do ensino superior com ao menos 50 mil formados na população, os menores rendimentos foram verificados entre brasileiros que vieram de cursos relacionados a ciências da Educação — principalmente Pedagogia e formação de professor para os anos iniciais da educação básica.
Em seguida, entre as piores remunerações, aparecem cursos da área de religião e, novamente, uma carreira de magistério: formação de professores com especialização em matérias específicas, onde estão agrupadas licenciaturas em áreas de disciplinas do ensino médio, como Língua Portuguesa, Matemática, História e Biologia.
Pagar melhor aos professores da educação básica, no entanto, é uma política que, além de cara, tende a trazer retorno apenas a longo prazo em termos de qualidade de ensino. A literatura acadêmica sobre o tema no Brasil e em outros países mostra que a remuneração docente não tem, ao contrário do que se pensou durante muitos anos, relação imediata com a melhoria do aprendizado dos alunos.
No entanto, o achatamento salarial do magistério traz sérios prejuízos a longo prazo. Esta tese é comprovada por um relatório feito pela consultoria McKinsey, em 2007, que teve grande repercussão internacional ao destacar que uma característica dos países de melhor desempenho educacional do mundo — Finlândia, Canadá, Coreia do Sul, Japão e Singapura — era o alto poder de atração dos melhores alunos para o magistério.
— Não dá para imaginar que, dobrando o salário do professor, ele vai dobrar o aprendizado dos alunos. O problema é que os bons alunos não querem ser professores no Brasil. Para atrair os melhores, é preciso ter salários mais atrativos — afirma Priscila Cruz, diretora-executiva do Todos Pela Educação.
O presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Roberto Franklin de Leão, concorda com o diagnóstico da baixa atratividade da profissão. Ele afirma que a carreira de professor, salvo exceções, acaba atraindo quem não tem nota para ingressar em outra faculdade. Para Roberto Leão, salário é fundamental, mas não o suficiente para melhorar a qualidade do ensino.
— Sem salário, não há a menor possibilidade de qualidade. Agora, claro que é preciso mais do que isso: carreira, formação e gestão.
Priscila Cruz também diz que o salário é só parte da solução:
— É preciso melhorar salários para que os alunos aprendam mais. Mas o profissional também tem que ser mais cobrado e responsabilizado por resultados. Não pode, por exemplo, faltar e ficar tantos dias de licença, como é frequente.

Pais e professores precisam se queixar menos e cooperar mais para sucesso acadêmico das crianças e adolescentes


Nathalia Goulart
Clipping Educacional - Revista Veja, 19 de maio de 2012.
A relação entre pais e professores está longe de ser harmoniosa. E o problema não está circunscrito ao Brasil. Em 2011, o professor americano Ron Clark publicou um artigo em tom de desabafo no site da rede de TV CNN intitulado `O que os professores realmente querem dizer aos pais`. O texto se tornou o segundo mais compartilhado no Facebook naquele ano e encorajou o debate: afinal, por que há tantos conflitos entre família e escola? A psicóloga australiana Kimberley O`Brien, especialista no tema escola e família, dá pistas para a solução do problema: `Uma relação saudável exige tempo e dedicação de pais e professores, mas nem sempre ambos estão dispostos a fazer esse investimento`, diz a especialista, que está no Brasil para participar do congresso Educar/Educador, em São Paulo. `Os dois lados, pais e professores, precisam entender que os esforços têm de ser compartilhados. Com mais trabalho e menos reclamação, os resultados aparecem.` Confira a seguir a entrevista que a psicóloga concedeu ao site de VEJA.
Afinal, por que a relação família-escola é tão desgastada? Uma relação saudável exige tempo e dedicação de pais e professores, mas nem sempre ambos estão dispostos a fazer esse investimento. Muitas vezes, os pais esperam que a escola estabeleça as vias desse relacionamento, mas os professores não podem fazer isso sozinhos por falta de tempo e recursos. Minha experiência profissional mostra o quanto esse impasse pode gerar stress, fadiga e uma lista interminável de reclamações. Os dois lados precisam entender que os esforços têm de ser compartilhados. Com mais trabalho e menos reclamação, os resultados aparecem.
O que a ciência diz sobre a participação da família no processo educacional de crianças e adolescentes? As pesquisas no campo da psicologia emocional mostram que deve haver consistência no relacionamento entre escola e família para que a criança sinta que existe estabilidade nos dois campos. A ligação do estudante com o ambiente escolar aumenta quando há envolvimento dos pais em atividades como leitura e deveres de casa em geral. Quando o irmão mais novo assiste à participação dos pais nas atividades escolares do mais velho, se sente muito mais seguro de ir para a escola pela primeira vez. Já os jovens que sentem que seus pais interagem com seus professores têm menos chances de largar a escola e, assim, ganham motivação.
Quais as consequências quando a relação entre família e escola desanda? Ao contrário do que se possa imaginar, as crianças e adolescentes detectam muito rapidamente quando pais e professores entrem em conflito. Se o jovem sente que sua família não está comprometida com a escola ou com os docentes, passa a questionar sua dedicação à instituição. Isso afeta seu desempenho escolar e sua relação com o ambiente escolar.
O que pode ser feito por parte dos pais para evitar situações como essa? Em primeiro lugar, eu sempre recomendo aos pais muita pesquisa antes de escolher a escola em que seus filhos vão estudar. Eles precisam estar bastante seguros de que aquela é a unidade que se enquadra em suas expectativas. Isso minimiza muito as chances de conflitos ao longo da vida acadêmica. Se, mesmo assim, as divergências aparecerem, a orientação é procurar a direção da escola e os professores para uma conversa franca. Trocar o filho de escola não é recomendado em situações como essa. Deve ser o último recurso a ser considerado pelos pais.
Como devem agir os professores? É necessário estabelecer um canal confiável de comunicação. Para isso, é preciso criar oportunidades de encontro semanais, por exemplo, para oferecer suporte às famílias. Muitas escolas acham que isso toma muito tempo, mas os benefícios no longo prazo são comprovados. Outra técnica muito pouco praticada é dividir tarefas entre os estudantes. Quando o professor dá para a criança uma responsabilidade, como desligar os computadores da sala ou zelar pelo material esportivo, isso aumenta o sentimento de orgulho por parte dos pais e ajuda a aumentar a confiança que a família deposita na escola.
Melhorar as relações entre família e escola é uma preocupação universal? Certamente. Em todos os cantos do mundo, os pais tiram seus filhos de casa para enviá-los à escola. Em alguma medida, esse conflito aparece em todos os países.

'O diretor é responsável pela aprendizagem'


OCIMARA BALMANT
Clipping Educacional  - O Estado de S.Paulo
Programa de formação em Nova York capacita gestores por um ano e meio antes de eles assumirem uma escola
Aquela visão (antiga e encrustada) de que o diretor é o responsável pela parte administrativa da escola enquanto os professores se incumbem de ensinar os alunos é um equívoco a ser combatido. "O diretor deve sentar com os seus docentes para estabelecer metas sobre o que os estudantes vão aprender . Devem ser educadores visionários e apaixonados que lideram escolas onde todas as atividades tenham a meta de acelerar o aprendizado e o crescimento acadêmico", defende Irma Sardoya.
Desde 2003, a educadora está à frente da Academia de Lideranças de Nova York, instituição que já formou 1.600 diretores, a maioria com atuação em áreas de vulnerabilidade social. A seguir, Irma explica como funciona essa capacitação que inclui curso de formação inicial, um ano de residência e programa de mentoria.
O que motivou a criação da academia?Há nove anos, o prefeito e o secretário de educação perceberam que havia muitos diretores da cidade que se aposentariam em breve e que não havia um grupo de novos profissionais capacitados para as vagas. Dessa necessidade, várias fundações e empresas se uniram e criaram um fundo para abrir a Academia de Liderança. Nascemos, portanto, com o objetivo fixo de recrutar, capacitar e providenciar a colocação desses novos diretores.
E já havia o perfil do diretor ideal a ser buscado?
Sim. Partimos do pressuposto de que a pessoa não deve aprender apenas a cuidar dos aspectos administrativos, mas também conhecer métodos didáticos, estar apta a ajudar os professores a melhorar suas aulas e saber como desenvolver um currículo. Porque para ser um diretor, é preciso saber o que é ser um bom professor e conhecer as noções básicas de como ensinar alunos Por isso, já selecionamos candidatos com essa vontade de aprender.
Era uma condïção?
Era. Além de ter habilidade em lidar com as pessoas, se expressar bem, saber gerir seu próprio tempo, ter o hábito de dar retorno sobre a execução de uma tarefa e estar aberto a ter o trabalho avaliado e, se necessário, rever suas ações. Verificamos isso em textos e dinâmicas. Por fim, a última parte da seleção é uma entrevista sobre didática.
Por que eles já são professores, não é?
Exatamente. Por uma exigência estadual, precisam ter no mínimo três anos de experiência em sala de aula. É assim que podemos ter uma ideia do que eles sabem, de quem são, se são apaixonados, se querem efetivamente fazer os alunos aprenderem. Também vemos os que não se importam em trabalhar em um lugar em que a situação não seja tão boa assim, e, pelo contrário, demonstram interesse nas escolas mais difíceis. Isso é visto logo, porque não se pode convencê-los a fazer depois de já terem sido selecionados.
Passado o filtro, como funciona exatamente essa capacitação?
A primeira fase é um curso de verão de seis semanas onde nós os treinamos em um cenário que simula uma escola e onde ele deve resolver problemas, tomar decisões e ajudar seus alunos a melhorarem seu desempenho. Sempre trabalhando em equipe. Nós os forçamos a trabalhar em equipe porque assim, ao irem para a escola, vão privilegiar o trabalho conjunto dos professores e farão questão de trabalhar em parceria com os docentes. Porque lá na frente, se ele verificar que os alunos estão indo mal em matemática, precisa trabalhar com os docentes de matemática para melhorar os resultados. Afinal, tanto ele como o professor são responsáveis pelo aprendizado de cada estudante.
Ao final desse tempo, ele se torna um diretor aspirante, mas não assume uma escola. É isso?
Isso. Segue para um ano de residência em uma escola gerida por um diretor mentor selecionado e treinado pela academia. Esse mentor sabe os pontos fortes e fracos do aspirante, a quais situações ele deve ser exposto e os aspectos que precisa desenvolver. Então, de várias formas durante o ano, o aspirante não só observa como o diretor mentor trabalha, mas tem a oportunidade de assumir certas responsabilidades para se posicionar, tomar decisões, trabalhar com os professores, ir para a sala de aula, obter retorno etc. É só no fim dessa residência que ele obtém a qualificação para assumir uma escola. E mesmo assim não é sozinho. Em seu primeiro ano de trabalho, um treinador vai acompanhar seu desenvolvimento nos pontos que ambos acreditam que ainda possam ser melhorados.
E quem paga por isso?
O Departamento de Educação da Cidade de Nova York. Grande parte da verba que tínhamos nos primeiros anos acabou. Agora a prefeitura precisa pagar por todos os gastos. Por isso, querem ter certeza de que nós estamos gerando bons líderes para o sistema.
É possível mensurar os impactos no rendimentos dos alunos?
Há um estudo da Universidade de Nova York que mapeou os diretores formados pela academia com outros novos diretores que começaram a trabalhar na mesma época. A constatação foi que as escolas com baixo desempenho que foram assumidas por nossos ex-alunos conseguiam obter melhores resultados em artes em língua inglesa. Em matemática, diminuiu muito a lacuna de aproveitamento que havia entre essas escolas carentes, com professores mais inexperientes e que foram assunidas por nossos ex-alunos, e as que historicamente tinham resultados melhores por estarem em regiões mais favorecidas. Deu tão certo, que, neste momento, um em cada seis diretores da Cidade de Nova York é um ex-aluno da academia.
E a satisfação dos diretores?
O índice de satisfação do treinamento que fazemos com os diretores no primeiro ano deles é bastante alto. Está na casa dos 90% de aprovação.
Há alguma parte do trabalho que vocês desenvolveram que é ministrada a distância?
Apenas em outras cidades, distritos e estados. Quando trabalhamos com o estado do Missouri, desenvolvemos módulos de treinamento on-line porque eles tinham treinadores que trabalhavam com novos diretores de escola, mas queriam ofercer capacitação para esses seus treinadores. Mas estamos pensando no que mais poderíamos fazer para desenvolver o ensino a distância.
No Brasil, a situação mais comum é oferecer capacitação aos diretores depois que já foram selecionados, seja por concurso, eleição ou indicação. O que você acha disso?
Respondo com uma pergunta: quando essas pessoas são selecionadas, seja de que forma for, como se sabe que elas serão capazes de realizar o trabalho? Como saber se estão preparadas para dirigir uma escola?
fonte: http://www.udemo.org.br

Eles não sabem ler. E agora?


Eduardo Filho 
Clipping Educacional - UDEMO
Matéria publicada no Jornal da Tarde, 22 de maio de 2012.
Alguns especialistas chamam de “Era do Conhecimento” ou “Sociedade da informação” o mundo atual em que vivemos. Nesta sociedade contemporânea a habilidade mais básica que todo cidadão deve possuir é a proficiência em leitura. Lamentavelmente, esta habilidade básica não foi comunicada ao cidadão brasileiro médio, visto que apenas 1% dos estudantes brasileiros possuem habilidades avançadas em leitura. Em países realmente desenvolvidos, este percentual é de 15%. Outra triste constatação é o fato de 55% dos jovens brasileiros estão no nível mais baixo de proficiência em leitura. Entre os países participantes de uma avaliação internacional, o Brasil foi o país com maior percentual de jovens no nível mais baixo de habilidades em leitura. Vale ressaltar que estes dados referem-se a uma avaliação que contou apenas com jovens estudantes, na faixa de 15 anos, sem grande defasagem de ensino. Se incluirmos na análise os mais de 80 milhões de adultos que não possuem o Ensino Médio, constatamos que o Brasil possui uma nação de semiletrados, o que coloca o nosso país em grande desvantagem competitiva internacional. Muitas empresas tentam contribuir com a sociedade, mas estão tratando o problema com o remédio errado. Existem inúmeros núcleos de capacitação profissional financiados pela iniciativa privada e pelo Governo, contudo, estão tentado profissionalizar jovens que ainda não sabem ler de forma articulada. O problema da desigualdade é mais básico e não será resolvido com cursos profissionalizantes para analfabetos funcionais.
A profissionalização necessária para a maioria dos cargos disponíveis é a capacidade plena de expressão oral e escrita e de realização de cálculos básicos. Estas competências podem ser obtidas concluindo com êxito o Ensino Médio. O cumprimento desta básica etapa garante empregabilidade e livra o jovem do subemprego e demais constrangimentos sociais. No Instituto Direcionar, bons resultados estão sendo percebidos como resultado de aulas de português e oficinas de leitura. Nestas oficinas os jovens tem a oportunidade de exercitar a oralidade e melhorar sua fluência. Doutores em matemática afirmam que o português é a base para um bom desempenho nas disciplinas exatas, pois capacita no entendimento do enunciado dos problemas.
O domínio pleno da língua portuguesa obedecendo aos critérios da norma culta é o que alguns especialistas em educação chamam de “linguagem da oportunidade”. Esta definição é bastante objetiva, prática e, além disso, encerra a improdutiva discussão sociológica sobre a liberdade do jovem expressar-se com gírias ou utilizando um dialeto de suas comunidades. Independente de sua origem ou forma de falar entre amigos, o estudante deve ser preparado na escola para falar a linguagem do trabalho, dos estudos e dos negócios. É a linguagem que o jovem precisará utilizar para ser aprovado em uma entrevista de emprego e para ser bem-sucedido em uma redação no vestibular. Nossa sociedade possui um longo caminho a percorrer para realizar uma grande reforma educacional em nosso país, mas podemos avançar bem rápido se nos atentarmos para a real necessidade que temos. Nossos jovens não precisam de cursos profissionalizantes, eles precisam ser alfabetizados.
O autor, Eduardo Filho, é especialista em educação e presidente do Instituto Direciona

A DIGNIDADE VALE MAIS QUE A VIDA

POR LYA LUFT
Clipping Educacional - SECOM / CPP
Confira o texto extraído da revista Veja, desta semana, edição 2270 - de 23/5/2012 -página 20.
Vale a pena apreciar a forma primorosa com que a professora e escritora Lya Luft tão bem traduz os valores e a realidade que nos cerca.
"Voltando da Itália, da qual a gente nunca se cansa, curtindo a arte, a história, a beleza natural e os lugares mais charmosos, também tentando avaliar a crise por lá, trouxemos na bagagem vários novos aprendizados. 
Embora em todas as cidades que visitamos na Lombardia, no Vêneto e na Toscana não tenhamos sentido a crise diretamente, com restaurantes, hotéis e praças cheios de italianos alegres com crianças (dos turistas em manadas falo depois), vimos notícias de cinco suicídios devidos a esse fantasma chamado Crise. Em geral operários, aposentados e pequenos empresários sem esperança, cansados de lutar, ou esmagados por dívidas. Um deles deixou o bilhete lacônico: "Às vezes, a dignidade vale mais que a vida".
O cuidado com a dignidade humana também aparece na valorização da idade e do ser natural, sem a nossa obsessão por dietas ou caras deformadas por cirurgias excessivas. Chama atenção o grande número de pessoas de bengala em museus, praças, trens, aeroportos. Isso me atingiu pessoalmente: há muitos anos, sabendo que um dia teria de apelar para ela, a bengala, que hoje uso para me mover melhor, dava-me uma sensação de tristeza. Pois nesses dias italianos fiz dela minha amiga, andei por toda parte, curti como nem esperava, e senti os benefícios de uma cultura na qual a juventude não é a única fase valorizada e se favorece quem tem qualquer problema físico. museus com enormes escadarias reservam ascensores para quem deles precisa, e ao natural nos encaminhavam para lá.
O acesso a toda parte é simples, gente espontaneamente cedendo lugar, estendendo a mão com gentileza e naturalidade. Se hoje podemos viver mais, que seja com qualidade de vida ótima, participando de tudo, em lugar de nos recolhermos melancolicamente em casa.
Um dos segredos de uma boa viagem é buscar, além daqueles pontos óbvios, alguns lugares pequenos, quase desconhecidos, que guardam tesouros incalculáveis: igrejinhas do século IV, abóbadas de mais de 1000 anos cobertas de mosaicos minúsculos em bom estado e, exposto num jardim, o trono de Átila, rei dos hunos. na ilhazinha de Torcello. junto de Veneza. talhado em pedra, sóbrio e simples, não revelando o poder brutal daquele que dominou e devastou boa parte da Europa antiga.
Se a extraordinária beleza de tantas obras está conservada por toda a Europa, na Itália parece que ela tem um brilho particular: lá. a Alta Idade Média e o Renascimento fizeram explodir em todo o seu esplendor o belo, o sublime de que o ser humano é capaz. E, porque somos humanos. esse período de luxo também centralizou opressão e crueldade. Visitamos em Florença o convento de San Marco. onde morou Savonarola. monge fanático que enviou para a fogueira milhares de inocentes. Mas cada uma das inúmeras celas do convento foi decorada por Fra Angelico, merecendo horas de silencioso encantamento.
As hordas de turistas exaustos, às vezes desinteressados, impedem em vários lugares essa contemplação demorada e tranquila. Como o turismo crescente é inevitável, e nem todos os turistas têm real desejo de apreciar a arte, penso que cada vez mais se visitarão tais lugares em casa, na internet, podendo-se ver e estudar todas as obras sem se acotovelar entre tanta gente. 
O melhor da humanidade (e, como sempre, o pior) começa a estar ao alcance do mouse de qualquer bom computador. Não é a mesma coisa, mas permite o luxo da tranquilidade para saborear o que, sendo contraditórios, produzimos de magnífico, além do feio, do medíocre ou do grotesco.

Além desse mergulho cultural e estético, que renova e reconcilia, da perspectiva dos problemas locais, que muda com o afastamento geográfico, da alegria pela preservação de tesouros de um passado em que o ritmo da vida permitia que engenho e arte produzissem maravilhas, veio comigo a pontinha de tristeza daquela dolorosa. respeitável frase (que cada um por aqui pode interpretar como puder): "Às vezes, a dignidade vale mais que a vida".

PROFESSOR PRECISA ABRIR A CABEÇA, DIZ EDUCADOR

Clipping Educacional SECOM / CPP Informação obtida do jornal "O Estado de São Paulo"
Educador acredita que as inovações só ocorrerão com o fim do ensino transmissivo
Depois de já ter revolucionado os moldes tradicionais de ensino na Escola da Ponte, o professor português José Pacheco, hoje um estudioso da realidade brasileira, aposta na mudança de mentalidade dos professores e no apoio dos governos para haver inovação em educação. Segundo o educador, é preciso que as iniciativas isoladas que ele tem visto pelo país sejam registradas, avaliadas e incentivadas para não serem perdidas. Mais que isso: os professores devem se dispor a mudar para adotar uma postura mais descentralizada, aberta à reflexão, ao diálogo e à diversidade.
Pacheco se tornou mundialmente conhecido por transformar uma escola pública portuguesa, a Ponte, com uma metodologia ousada: ele acabou com turmas, salas de aula, disciplinas e passou a ensinar conforme a motivação dos alunos. Lá, são os próprios estudantes que se organizam em grupos heterogêneos para estudar os assuntos que lhes interessam, são autônomos para pesquisar, apresentar os resultados para os colegas e, quando se sentem prontos, avisam que podem ser avaliados. O educador já está aposentado, mas sua proposta pedagógica continua sendo aplicada na Ponte e é replicada em vários países, inclusive no Brasil.

Como o senhor definiria inovação em educação?
Os arquivos das universidades estão repletos de teses sobre inovação. Sendo um termo de vasto espectro semântico, eu poderia escolher uma definição qualquer e escrever aqui, mas não farei. Prefiro dizer que, no campo teórico da educação, já tudo foi inventado e que as teses são meras reproduções de teorias… Na prática, aquilo que tem sido considerado inovação não tem sido avaliado e, quase sempre, tem consistido apenas em pequenas mudanças num modelo educacional hegemônico e obsoleto. Esse modelo, dito “tradicional”, aquele em que é suposto ser possível transmitir conhecimento faliu muito tempo atrás.

Nós, brasileiros, somos um povo aberto para inovação?
Sem dúvida que a mistura genética deu origem a um povo criativo. Acompanho algumas práticas embrionárias que provam a capacidade inventiva dos professores brasileiros. São iniciativas que partem de desejos e necessidades sentidas pelos atores locais. Essas práticas (talvez inovadoras) requerem descentralização, questionamento do modelo de relação hierárquica, negociação e contrato, respeito pela diversidade. Tais projetos poderiam constituir-se em oportunidade de mudança, mas o poder criativo não encontra acolhimento junto daqueles a quem compete gerir o sistema. Urge inovar, mas como pode acontecer inovação, se quem decide não tem consciência dessa necessidade?

O que de mais inovador o senhor tem visto pelas suas viagens pelo Brasil?
Tenho visto o trabalho discreto de muitos professores. Um trabalho que talvez mereça ser considerado inovador, mas que, por não ser apoiado pelo poder público, nem avaliado, se perde, quando os professores desistem de querer mudar as escolas, quando desistem de fazer das crianças seres mais sábios e pessoas mais felizes.

Existe mais abertura hoje para projetos que desconstroem a escola tradicional, como a Escola da Ponte ou a Educação Ativa?
Existe abertura por parte de educadores atentos à tragédia educacional brasileira. Há dados que mostram que há alunos que chegam ao ensino médio analfabetos ou incapazes de fazer uma interpretação de texto.

As escolas se converteram ao mundo digital, mas mantêm e reforçam práticas de ensino obsoletas, o improviso e o imediatismo das “novas” práticas faz prosperar o insucesso. Urge instituir novas e autonômicas formas de organização das escolas, mas também recuperar práticas antigas, sem a tentação de clonar a escola da Ponte ou adotar modismos.
Há muitos educadores com um estatuto social degradado, mal remunerados, mas que não desistem de desconstruir o modelo tradicional, de tentar melhorar, melhorando a escola. Eles sabem que o Brasil progredirá através da educação. Mas não aquela educação de que é feita a retórica de político…

Onde estão as principais barreiras para inovar? Nas escolas, entre professores, governantes, pais ou alunos?
A mudança em educação é um processo complexo e moroso: para grandes metas, pequenos passos. Urge buscar uma escola do conhecimento e abandonar um ensino meramente transmissivo, fomentar a organização do acesso à informação e a aprendizagem do uso do conhecimento.
A mudança das instituições passa pela transformação das pessoas que as mantêm. Estabeleça-se uma práxis pautada numa ética da responsabilidade e numa relação dialógica. Que se recuse ideias feitas e se escape à síndrome do pensamento único.
A formação dos professores é deficiente. As escolas são geridas numa racionalidade administrativa e burocrática. Mas o principal obstáculo é o professor, quando assume que o ato de educar é um ato solitário, quando recusa reelaborar a sua cultura pessoal e profissional, no exercício da convivencialidade.



PROVA MÉRITO: OS ABSURDOS CONTINUAM

Clipping Educacional -  SECOM / CPP
Na edição desta semana do quadro da TVCPP “Por Dentro do Assunto” o professor Silvio dos Santos Martins, 2° vice-presidente da entidade, expõe, com detalhes, a contestada Prova de Mérito” e o seu reflexo na carreira dos profissionais a educação.
“Instituída no Estado de São Paulo, pela Administração do então governador José Serra, por meio da LC 1097/09, a chamada Prova Mérito foi aprovada na Assembleia Legislativa, na calada da noite e por apenas um voto a mais.
Confira, no vídeo, o que vem a ser "mentirocracia" e como afeta a vida profissional dos docentes.

Decreto Nº 58.054/2012 Suspende o expediente nas repartições públicas estaduais no dia 8 de junho de 2012 e dá providências correlatas


Decreto Nº 58.054/2012
Suspende o expediente nas repartições públicas estaduais no dia 8 de junho de 2012 e dá providências correlatas
GERALDO ALCKMIN, Governador do Estado de São Paulo, no uso de suas atribuições legais,
Considerando que a suspensão do expediente nas repartições públicas estaduais no próximo dia 8 de junho se revela conveniente à Administração Estadual e ao servidor público; e
Considerando que o fechamento das repartições públicas estaduais deverá ocorrer sem redução das horas de trabalho semanal a que os servidores públicos estaduais estão obrigados nos termos da legislação vigente,
Decreta:
Artigo 1º - Fica suspenso o expediente nas repartições públicas estaduais no dia 8 de junho de 2012 - sexta-feira.
Artigo 2º - Em decorrência do disposto no artigo 1º deste decreto, os servidores deverão compensar as horas não trabalhadas, à razão de 1 (uma) hora diária, a partir do dia 22 de maio deste ano, observada a jornada de trabalho a que estiverem sujeitos.
§ 1º - Caberá ao superior hierárquico determinar, em relação a cada servidor, a compensação a ser feita de acordo com o interesse e a peculiaridade do serviço.
§ 2º - A não compensação das horas de trabalho acarretará os descontos pertinentes ou, se for o caso, falta ao serviço no dia sujeito à compensação.
Artigo 3º - As repartições públicas que prestam serviços essenciais e de interesse público, que tenham o funcionamento ininterrupto, terão expediente normal no dia mencionado no artigo 1º deste decreto.
Artigo 4º - Caberá às autoridades competentes de cada Secretaria de Estado e da Procuradoria Geral do Estado fiscalizar o cumprimento das disposições deste decreto.
Artigo 5º - Os dirigentes das Autarquias Estaduais e das Fundações instituídas ou mantidas pelo Poder Público poderão adequar o disposto neste decreto às entidades que dirigem.
Artigo 6º - Este decreto entra em vigor na data de sua publicação.

Pais e professores precisam se queixar menos e cooperar mais para sucesso acadêmico das crianças e adolescentes

Nathalia Goulart
Clipping Educacional - Veja Educação
No Brasil, especialista australiana fala do embate entre família e docentes

Kimberley O'Brien: 'Harmonizar a relação entre pais e professores é um tarefa global'
Kimberley O'Brien: 'Harmonizar a relação entre pais e professores é um tarefa global' (Divulgação)
'Com mais trabalho e menos reclamação, os resultados aparecem' – Kimberley O'Brien
A relação entre pais e professores está longe de ser harmoniosa. E o problema não está circunscrito ao Brasil. Em 2011, o professor americano Ron Clark publicou um artigo em tom de desabafo no site da rede de TV CNN intitulado "O que os professores realmente querem dizer aos pais". O texto se tornou o segundo mais compartilhado no Facebook naquele ano e encorajou o debate: afinal, por que há tantos conflitos entre família e escola? A psicóloga australiana Kimberley O'Brien, especialista no tema escola e família, dá pistas para a solução do problema: "Uma relação saudável exige tempo e dedicação de pais e professores, mas nem sempre ambos estão dispostos a fazer esse investimento", diz a especialista, que está no Brasil para participar do congresso Educar/Educador, em São Paulo. "Os dois lados, pais e professores, precisam entender que os esforços têm de ser compartilhados. Com mais trabalho e menos reclamação, os resultados aparecem." Confira a seguir a entrevista que a psicóloga concedeu ao site de VEJA.
Leia também:


Afinal, por que a relação família-escola é tão desgastada? Uma relação saudável exige tempo e dedicação de pais e professores, mas nem sempre ambos estão dispostos a fazer esse investimento. Muitas vezes, os pais esperam que a escola estabeleça as vias desse relacionamento, mas os professores não podem fazer isso sozinhos por falta de tempo e recursos. Minha experiência profissional mostra o quanto esse impasse pode gerar stress, fadiga e uma lista interminável de reclamações. Os dois lados precisam entender que os esforços têm de ser compartilhados. Com mais trabalho e menos reclamação, os resultados aparecem.
O que a ciência diz sobre a participação da família no processo educacional de crianças e adolescentes? As pesquisas no campo da psicologia emocional mostram que deve haver consistência no relacionamento entre escola e família para que a criança sinta que existe estabilidade nos dois campos. A ligação do estudante com o ambiente escolar aumenta quando há envolvimento dos pais em atividades como leitura e deveres de casa em geral. Quando o irmão mais novo assiste à participação dos pais nas atividades escolares do mais velho, se sente muito mais seguro de ir para a escola pela primeira vez. Já os jovens que sentem que seus pais interagem com seus professores têm menos chances de largar a escola e, assim, ganham motivação.
Quais as consequências quando a relação entre família e escola desanda? Ao contrário do que se possa imaginar, as crianças e adolescentes detectam muito rapidamente quando pais e professores entrem em conflito. Se o jovem sente que sua família não está comprometida com a escola ou com os docentes, passa a questionar sua dedicação à instituição. Isso afeta seu desempenho escolar e sua relação com o ambiente escolar.
O que pode ser feito por parte dos pais para evitar situações como essa? Em primeiro lugar, eu sempre recomendo aos pais muita pesquisa antes de escolher a escola em que seus filhos vão estudar. Eles precisam estar bastante seguros de que aquela é a unidade que se enquadra em suas expectativas. Isso minimiza muito as chances de conflitos ao longo da vida acadêmica. Se, mesmo assim, as divergências aparecerem, a orientação é procurar a direção da escola e os professores para uma conversa franca. Trocar o filho de escola não é recomendado em situações como essa. Deve ser o último recurso a ser considerado pelos pais.
Como devem agir os professores? É necessário estabelecer um canal confiável de comunicação. Para isso, é preciso criar oportunidades de encontro semanais, por exemplo, para oferecer suporte às famílias. Muitas escolas acham que isso toma muito tempo, mas os benefícios no longo prazo são comprovados. Outra técnica muito pouco praticada é dividir tarefas entre os estudantes. Quando o professor dá para a criança uma responsabilidade, como desligar os computadores da sala ou zelar pelo material esportivo, isso aumenta o sentimento de orgulho por parte dos pais e ajuda a aumentar a confiança que a família deposita na escola.
Melhorar as relações entre família e escola é uma preocupação universal? Certamente. Em todos os cantos do mundo, os pais tiram seus filhos de casa para enviá-los à escola. Em alguma medida, esse conflito aparece em todos os países. 

quinta-feira, 17 de maio de 2012

MEC amplia currículo alternativo para tirar ensino médio público da crise


Vanessa Fajardo*

Clipping Educacional - Do G1, em São Paulo 
Reprovação é a mais alta desde 1999, segundo divulgou Inep nesta semana.
Projeto propõe adoção de disciplinas regionais e aumento de carga horária.

Neste ano, 1.660 escolas da rede pública aderiram ao Programa Ensino Médio Inovador (Proemi), criado em 2009 pelo Ministério da Educação com o objetivo de reformular uma das mais problemáticas etapas do ensino. No total, segundo o Ministério da Educação, o programa passou a atender 10% das escolas públicas com ensino médio, o que representa uma adesão de 2.015 unidades nos 27 estados.
Em 2011, de acordo com dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), a taxa de reprovação no ensino médio foi de 13,1%, o maior índice desde 1999. Além disso, 9,6% dos estudantes neste ciclo abandonaram a escola - no primeiro ano do ensino médio, a taxa de abandono foi de 11,8%. As taxas de reprovação e abandono no ensino fundamental foram de 9,6% e 2,8% no mesmo período, respectivamente.
O Proemi é uma tentativa do governo de desatar o grande “nó” da educação pública do país. Os problemas encontrados desde as primeiras séries do ensino fundamental vão se acumulando ao longo dos anos e transformam o ensino médio em um grande 'gargalo'. Com um extenso conteúdo espremido em três anos letivos, o ensino médio apresenta alto índice de evasão escolar, alunos acima da idade adequada na série e baixos índices de proficiência em matérias básicas como português e matemática (veja ao lado).
A reportagem do G1 visitou escolas no Distrito Federal e em Pernambuco que aderiram ao ensino médio inovador, se destacam por seus trabalhos e se tornaram uma exceção entre as escolas públicas.
Sala de ginástica da escola Setor Leste, melhor
pública do DF no Enem (Foto: Jamila Tavares/G1)
Na cidade de Paudalho, na Zona da Mata de Pernambuco, a Escola Estadual Monsenhor Landelino Barreto Linse, localizada na Vila Asa Branca, transformou a realidade da comunidade. Os estudantes passaram a ter aulas de práticas teatrais e sustentáveis; linguagem e cultura; educação e saúde; atualidades e cultura digital; e comunicação e uso de mídias.
No Distrito Federal, a escola Setor Leste possui ensino integral e oferece aulas para que os alunos tirem dúvidas no contraturno. Os alunos têm aulas de circo, dança, ginástica olímpica, natação, inglês, francês e espanhol. No programa desde 2010, a Setor obteve o melhor desempenho no Enem de 2011 entre as escolas públicas do DF.
A escola rural Centro de Ensino Fundamental (CEF) Agroubano do Caub I se focou em discussões sobre os 50 anos de Brasília e no resgate da trajetória da Missão Cruls, responsável pela demarcação da área do futuro Distrito Federal
O Programa Ensino Médio Inovador prevê oferecer disciplinas alternativas e aumentar a carga horária para tornar a escola mais atraente. Para fazer parte do programa, as unidades têm de fazer uma proposta de oferecer disciplinas que variam de acordo com as especificidades da região e estejam dentro de quatro campos de conhecimento: trabalho, ciência, cultura e tecnologia.
As matérias obrigatórias previstas pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação também devem estar no currículo. E é necessário ampliar a jornada escolar para, no mínimo, 3.000 horas para os três anos do ensino médio, ou seja, o mínimo de 5 horas de atividades diárias. Atualmente, pelo currículo tradicional, a lei prevê 4 horas de aulas por dia, sendo pelo menos 2.400 durante todo o ensino médio.
A previsão do ministério é atender mais 4 mil escolas no próximo ano e alcançar 100% delas até 2015. A estimativa de investimento para este ano é de R$ 140 milhões.
Apenas 11% aprendem 

o esperado em matemática
no ensino médio (Foto: Reprodução)

Evasão e baixo rendimento
Problemas de evasão e baixo aproveitamento no aprendizado são detectados desde o início da educação básica, mas é no ensino médio que a situação atinge níveis alarmantes. A avalanche de conteúdo dos 3 anos do ensino médio perdeu o sentido e não se sabe se o objetivo do ensino médio é preparar para o vestibular ou para o mercado de trabalho. Sem a expectativa de cursar uma universidade e longe de encontrar especialização profissional na escola, muitos adolescentes abandonam os estudos para trabalhar e reforçar a renda familiar.
Segundo dados do Movimento Todos pela Educação coletados pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), só metade dos jovens brasileiros conclui essa etapa do ensino na idade esperada (até os 19 anos). Desses, apenas 11% aprendem o considerado ideal em matemática.
Todos os anos, os rankings de desempenho dos estudantes no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) revelam o fracasso do ensino médio na rede pública. Em 2010, nenhuma escola estadual ou municipal apareceu entre as 100 primeiras com as melhores notas. As 13 escolas públicas que aparecem no universo das 100 melhores são colégios de aplicação de universidades, militares, escolas federais e técnicas.
Marinalva de França e Deize Lopes, alunas da
Escola Monsenhor Landelino Barreto Linse, em Paudalho (PE) (Foto: Luna Markman/G1)

Mudanças
Celso João Ferretti, doutor em história e filosofia da educação, do Centro de Estudos de Educação e Sociedade, diz que é favorável à proposta, mas colocá-la em prática não é simples porque não se trata apenas de uma reforma curricular. “É uma mudança da ‘forma de ser’ da escola. Tem de haver uma mudança na formação dos professores, criar possibilidade de mantê-lo na mesma escola, condições que não se encontram na rede pública. Por isso é uma proposta a ser realizada”, afirma.
Para Ferretti, o projeto é interessante pois leva o estudante a ter uma visão mais clara da vida que tem. “A proposta é que os diferentes campos de saberes se articulem para desenvolver uma visão a respeito do mundo, da política, da tecnologia e da economia, entre outros.”
Priscila Cruz, diretora executiva do Todos pela Educação, concorda que a mudança vai além do currículo escolar. “É importante resolver o nó do ensino médio. Os resultados de proficiência são muito pequenos e há dez anos não há melhora. Se não houver outro modelo, não será possível aproveitar os avanços dos ciclos anteriores. O ensino médio empaca qualquer outro avanço.”
Priscila aprova o modelo do ensino médio inovador, pois sinaliza para maior flexibilidade, sai do ‘modelo enciclopédico’ com 14 disciplinas obrigatórias que não aprofundam em nenhum tema, mas diz que é necessário ampliá-lo.
“Não dá para fazer mudança sem passar por questões complicadas. Tem de mudar estruturamente, fazer o aluno passar mais tempo aluno na escola, pensar na formação do professor, no currículo. Assim como uma orquestra onde todos os instrumentos tocam bem e harmonicamente, um fortalece e outro, senão a música fica ruim", diz Priscila.
* Colaboraram Jamila Tavares, do G1 DF, e Luna Markman, do G1 PE

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Brasil tem maior taxa de reprovação no ensino médio desde 1999


Clipping Educacional - Do G1, em São Paulo
Em 2011, índice de repetição foi de 13,1%, segundo o Inep.
No mesmo ano, a reprovação no ensino fundamental foi de 9,6%.
Em 2011, 13,1% de todos os estudantes matriculados em algum ano do ensino médio estavam repetindo a mesma série feita em 2010. A taxa de reprovação no ensino médio, incluindo tanto a rede pública quanto as escolas particulares, foi divulgada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) na tarde de segunda-feira (14) em seu site, com base nas informações do Censo Escolar 2011.O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, disse nesta quarta-feira (16), no Rio de Janeiro, que "precisa um estudo mais aprofundado para analisar" o aumento da taxa de reprovação no ensino médio em 2011 em relação aos anos anteriores. "Para avaliar o ensino, a taxa de reprovação é um dos indicadores de fluxo. O outro é a qualidade do aprendizado. Como o ensino médio é predominantemente estadual e nós tivemos mudanças de governo em muitos estados no ano passado, novos secretários de educação, novas atitudes, novos procedimentos, talvez tenha aí alguma explicação. Mas eu não quero me adiantar antes de um estudo mais aprofundado", disse Mercadante.Esse é o pior índice desde 1999, primeiro ano com dados disponíveis no site do Inep. Entre 2006 e 2007, o órgão alterou a metodologia e adotou a taxa de rendimento em vez de índices de evasão escolar. Porém, o número de alunos repetentes no ensino médio, que desde 2007 oscilava em cerca de 12%, acabou sofrendo um leve salto depois de cinco anos (veja tabela abaixo).
Taxas de reprovação e abandono no ensino médio*
AnoTaxa de reprovaçãoTaxa de abandono
201113,1%9,6%
201012,5%10,3%
200912,6%11,5%
200812,3%12,8%
200712,7%13,2%
Fonte: Inep/MEC
*O rendimento dos estudantes é composto de quatro taxas: aprovação, reprovação, abandono e taxa de não-resposta (matrículas sem informação suficiente para que o Inep possa categorizá-las)
Os estados com maior índice total de reprovação no ensino médio são Rio Grande do Sul (20,7%), Rio de Janeiro (18,5%) e Distrito Federal (18,5%), Espírito Santo (18,4%) e Mato Grosso (18,2%).
A rede municipal de ensino na região urbana de Belém, no Pará, foi a que apresentou o maior índice de reprovação do país: 62,5% seguida pela rede federal na zona rural do Mato Grosso do Sul, com 40,3%.
Os estados com menores taxas de repetição são Amazonas (6%), Ceará (6,7%), Santa Catarina (7,5%), Paraíba (7,7%) e Rio Grande do Norte (8%).

Taxa de abandono
Os dados sobre o rendimento dos estudantes é dividido em quatro categorias: taxa de aprovação, taxa de reprovação, taxa de abandono e taxa de não-resposta (TNR), composta matrículas que não se encaixam nas outras categorias por falta de informação nas escolas.
Apesar do aumento na taxa de reprovação, o índico de abandono no ensino médio vem caindo de maneira constante: em 2007, 13,2% dos estudantes que estavam no ensino médio em 2006 haviam desistido de estudar, enquanto em 2011 o número de desistentes em relação a 2010 foi de 9,6%.
VEJA OS ÍNDICES DE REPROVAÇÃO DE ALUNOS NA EDUCAÇÃO BRASILEIRA POR ESTADO (em %)

TAXA DE REPROVAÇÃO
NO ENSINO FUNDAMENTAL



TAXA DE REPROVAÇÃO
NO ENSINO MÉDIO
UFTotalRede
pública
Rede
particular
TotalRede
pública
Rede
particular
BRASIL6,910,63,513,114,16,1
AC7,98,28,28,58,74,5
AL15,216,74,010,911,48,0
AM10,210,73,46,05,98,9
AP9,810,41,713,914,74,7
BA15,216,34,315,616,37,4
CE7,88,63,86,76,95,0
DF10,813,33,018,522,37,1
ES11,212,32,918,420,45,4
GO7,68,62,812,914,05,9
MA8,99,42,89,19,44,6
MG7,37,83,212,613,36,8
MS14,115,22,917,118,66,5
MT3,63,82,118,219,54,7
PA10,911,53,212,413,14,6
PB11,913,33,37,78,15,3
PE11,713,53,910,010,65,6
PR9,510,32,512,613,84,1
PI12,813,94,69,710,16,6
RJ13,114,95,518,520,19,9
RN14,917,14,58,08,17,8
RO14,215,03,613,313,86,5
RR9,39,72,713,213,76,6
RS13,114,13,720,722,28,1
SC4,44,62,07,57,94,6
SE19,522,15,913,714,78,9
SP4,95,42,613,915,34,6
TO9,19,53,210,410,58,6
Fonte: Inep/MEC


Ensino fundamental
Em 2011, segundo o Inep, o ensino fundamental teve taxa de reprovação de 9,6%. Os estados com maior índice total de reprovação neste ciclo do ensino básico são Sergipe (19,5%), Bahia e Alagoas (15,2%), Rio Grande do Norte (14,9%) e Rondônia (14,2%). A rede estadual de Bahia e Sergipe também têm os piores indices do país: 26,6% e 22,5%, respectivamente entre as escolas na zona urbana.
Os estados com menores taxas são Mato Grosso (3,6%), Santa Catarina (4,4%), São Paulo (4,9%), Minas Gerais (7,3%) e Goiás (7,6%).